Epstein, Vorcaro e por que tanta gente defende o que sabe que está errado.
Por Ronaldo Silva · 16 de outubro de 2026 · 12 min de leitura
Aqui tem duas coisas separadas. O que se sabe vem com a fonte, pra você conferir. O que eu acho fica num quadro destacado e é opinião minha. Quem é citado e negou, a negativa está escrita junto.
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Quando o barulho aumenta
A ciência política tem nome pra isso: guerra diversionista. O governante que está apertado em casa arruma uma briga lá fora. O povo se une contra o inimigo e o assunto muda. Quem estudou isso a fundo foi o professor Jack Levy, em 1989.
Não quer dizer que toda guerra é isso. Quer dizer que vale perguntar.
O que eu achoQuando o barulho aumenta de repente, eu pergunto: o que esse barulho está escondendo?
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Trump, Epstein e o Irã
O que se sabe
Em novembro de 2025 o Congresso americano aprovou a lei que manda abrir os arquivos do caso Epstein, e Trump assinou. Desde então a oposição acusa o governo de esconder trechos. (Epstein files)
Em 28 de fevereiro de 2026, EUA e Israel atacaram o Irã. O líder Khamenei foi morto, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e o petróleo subiu quase 30% em uma semana. (Primicias/EFE)
Em 12 de outubro, num comício de Trump em Ohio, apoiadores agrediram uma mulher que vestia camiseta pedindo a abertura dos arquivos. Do palco, Trump zombou dela. (NBC)
Trump não foi acusado de crime no caso Epstein.
O que eu achoA guerra chegou bem na hora em que o caso Epstein apertava. Não tenho prova de que uma coisa causou a outra. Tem gente séria lá fora dizendo o mesmo (Daily Beast, opinião). Pra mim, a coincidência pesa.
⚠️ Está circulando uma foto da mulher levando um soco no comício. Essa foto é falsa, feita por inteligência artificial. A agressão aconteceu, mas a foto não é dela. Não compartilhe. (Snopes)
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O celular que assusta Brasília
O que se sabe
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde 4 de março de 2026, e o Banco Central liquidou o banco. A Polícia Federal pegou o celular dele. Ele já tentou duas delações, e a PF e a PGR recusaram as duas. (Gazeta do Povo)
Mensagens do celular publicadas pela Veja mostram políticos chamando Vorcaro de "irmão": o senador e candidato Flávio Bolsonaro ("estou e estarei contigo sempre"), o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o deputado Mario Frias. O deputado Nikolas Ferreira o chamava de "Dani". (Metrópoles)
Do lado do governo, a delação recusada cita o ex-ministro Alexandre Padilha. A PGR descartou por falta de prova, e Padilha nega. (Jornal Opção)
O que eu achoChamar banqueiro de irmão não é crime. Mas o celular dele dá medo em gente de todo lado, e é esse medo que faz muita gente grande mudar de conversa.
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A TV e o banqueiro
O que se sabe
Nas mensagens, Luciano Huck fala em R$ 83 milhões de publicidade do Will Bank (banco ligado a Vorcaro) na Globo e mais R$ 26 milhões num contrato pessoal. Depois que o banco caiu, escreveu a Vorcaro: "você merece sair inteiro desta turbulência". (Terra)
A Globo abriu uma auditoria interna sobre a relação dos dois. (Diário de Pernambuco)
Huck nega qualquer sociedade. Diz que eram contratos legítimos de patrocínio, com nota emitida e imposto pago, e que já foram encerrados.
Em 2024, em Nova York, Frederic Kachar, então diretor da Editora Globo, abriu um evento do jornal Valor bancado pelo Banco Master e agradeceu Vorcaro no palco. (Correio da Manhã)
O que eu achoPatrocínio não é crime. O que me incomoda é o rosto mais conhecido do domingo consolando o dono de um banco que quebrou e deixou muita gente no prejuízo.
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O filme e o candidato
O que se sabe
Segundo mensagens reveladas pelo Intercept, que o Estadão confirmou serem autênticas, Vorcaro combinou cerca de US$ 24 milhões para "Dark Horse", o filme sobre Jair Bolsonaro. Até 2025 teriam sido pagos uns US$ 10 milhões. A negociação foi feita por Flávio Bolsonaro, com Mario Frias e Eduardo Bolsonaro. (O Liberal/Estadão)
Um relatório do Coaf, revelado pela Piauí, mostra mais um pagamento de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025. (O Povo)
Flávio diz que é mentira que o filme foi bancado por Vorcaro. Mario Frias e a produtora dizem que Vorcaro não deu dinheiro nenhum, e com isso contradizem o que o próprio Flávio tinha dito.
O que eu achoUm candidato a presidente foi atrás de banqueiro pra pagar o filme do pai, e as versões da turma dele não batem entre si. Isso eu levo pra urna.
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Por que defendem mesmo sabendo
O que eu vejoConheço gente aqui na minha cidade (não vou dizer quem) que, numa conversa a dois, admite que o que está defendendo é errado. Fica abatida, quase deprimida. E no dia seguinte está defendendo de novo, mesmo que isso custe a própria moral.
Quando alguém tem coragem de chegar até a presidência dizendo em voz alta umas ideias horrorosas, muita gente se identifica e aquilo vira bandeira. E bandeira a gente defende até rasgada. Enquanto isso, a fumaça esconde o que realmente importa.
Não é coisa só da minha cabeça. Os estudiosos explicam:
Dissonância cognitiva Leon Festinger, 1957
Quando um fato contraria aquilo em que a pessoa acredita, ela muda o fato, não a crença.
Quando a profecia falha Festinger, 1956
Quando a previsão não se cumpre, os fiéis se agarram ainda mais a ela.
Efeito manada Solomon Asch, 1951
A pessoa vê a resposta certa e mesmo assim repete a errada, só porque o grupo inteiro falou.
Desengajamento moral Albert Bandura, 1999
Ela sabe que é errado e arruma uma desculpa pra continuar: "é por uma causa maior", "o outro lado é pior".
Espiral do silêncio Elisabeth Noelle-Neumann, 1974
Quem discorda se cala por medo de ficar sozinho, e o erro passa a parecer maioria.
Não é burrice. É gente, e qualquer um de nós pode cair nisso.
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Como não cair na manada
Antes de compartilhar qualquer coisa, eu faço três perguntas:
Tem fonte? Quem disse, onde e quando.
Quem ganha com isso? Se todo mundo está falando de uma coisa, o que deixou de ser falado?
Eu diria o mesmo se fosse o outro lado? Se a resposta é não, é a manada falando por mim.
O que eu achoEu fiz essas três perguntas e decidi meu voto. Minhas razões, com fonte, estão na outra página.
Os fatos vêm das reportagens linkadas, com as negativas de quem foi citado. Mensagens e delações recusadas citadas aqui não são condenação de ninguém.